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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

Entrevista a Coria - 1ª parte

 


Aproveitando o excelente trabalho desenvolvido pelos jornalistas do site Fue buena, resolvi traduzir a interessante entrevista feita por um deles a Guillermo Coria, o argentino que se encontra afastado das luzes da ribalta há já mais de um ano.

Por ocasião da sua esporádica participação num evento challenger, em Aracajú, Brasil, Coria falou do seu actual momento de forma, da época que aí vem e da sua biografia, que vai lançar em livro. E é justamente por aí que começa esta primeira parte da entrevista que publico.



Sempre me agradou a ideia de contar as minhas vivências, as boas e más experiências, responder ao que me perguntam as pessoas com quem me cruzo na rua, os meus fãs que me escrevem no fórum (forocoria.com). Gostava de partilhar com elas o que me aconteceu, porque parei, o que senti quando estava no auge da carreira e, depois, quando estava em baixo...” (Coria)



- Quando pensaste escrevê-la?


- Sempre gostei de biografias. Graças ao ténis pude viver experiências inesquecíveis, conhecer pessoas que nunca pensei vir a conhecer, como o Bono, uma vez, em Montecarlo. Uma biografia que me marcou foi a do Maradona, porque contou coisas que te tocam. Oxalá que este meu livro também possa ajudar alguém, porque isso seria uma grande recompensa.

 


- Que gostarias de nos contar agora?


- Hmm…explicar como, de um momento para o outro, deixei de conseguir ganhar até a um tipo sem ranking (sorrisos). E como faço para andar em frente. Não atravessei o pior momento da minha vida, muito pelo contrário. Este ano foi, em termos pessoais, quase como 2003 em termos desportivos (leia-se, muito bom!). Vivi experiências que dantes não podia viver.

 


- Como por exemplo...


- Bom, estar com a minha esposa (Carla) em nossa casa, na nossa cama. Dantes, a nossa casa era sempre um hotel, diferente quase todas as semanas. Poder visitar o meu irmão, jogar PlayStation com ele e os meus amigos, não ter horários, dar um salto a Venado Tuerto para um almoço em família, jogar futebol num campo próximo, conhecer o Sul, Perito Moreno, ir à Disney pela primeira vez, também com a Carla…Vivi nos EUA um ano e meio e nunca lá tinha estado! Pude fazer tudo isto durante este tempo de ausência.

 


- Falavas de estar em cima e em baixo… na tua melhor época todos te viam como um vencedor, que se impunha nos momentos difíceis. Quando te começaram a surgir as dúvidas?


- Quando perdi a vontade de entrar em court e lutar, quando me passou a ser indiferente o ganhar ou perder.

 


- E quando aconteceu isso? Uma situação pontual, um encontro que te marcou...


- Hmm, não foi um encontro. Muita gente diz que foi depois de Roland Garros’04 que comecei a fraquejar, mas não é verdade. Nesse ano estava em segundo na Corrida dos Campeões e, se ganhasse em Paris, passaria à frente do Federer com a temporada a meio. Mas, então, veio a lesão no ombro...no encontro dos quartos-de-final (RG’04), com o Moyà. Esse torneio de Roland Garros tinha-o quase ganho, é verdade, tive mesmo dois match-points na final, mas já estava lesionado. São coisas que as pessoas não sabem e que, de certeza, contarei na minha autobiografia. Depois de Roland Garros e da operacão mantive-me no top-10. No entanto, a meio de 2005 já não estava bem comigo mesmo e canalizei os problemas no serviço. Não tinha a mesma vontade de quando era novo, tinha perdido a fome de ténis.

 


- Outras partidas-chave para a tua carreira foram as que jogaste contra o Nadal, em Roma e contra o Ginepri, no US Open.


- Na do US Open’05 já eu estava com problemas psicológicos. A lesão no ombro e a operação foram muito complicadas, nem sequer sabia se iria poder continuar a jogar ténis. Mas, dois meses e meio depois convenci-me que queria jogar a Masters Cup e fui a Xangai, pouco depois de ser operado e sabendo que podia perder 6-0 e 6-0 com toda a gente. Mais tarde, quando cheguei a Roland Garros’06, estava muito cansado e já não sentia a mesma adrenalina por estar entre os 10 primeiros.

 


- Ou seja, vês isto como apenas uma fase.


- Paguei o preço de três duros anos consecutivos na ribalta, até 2006, que foram espetaculares. Na temporada de terra batida não só defendia os meus pontos como ainda melhorava de ano para ano. Devido à minha maneira de jogar, mais tarde ou mais cedo, era provável que isto acontecesse. Mas animicamente nunca me senti mal. Este ano (2007) em que não joguei foi o mais feliz da minha vida.

 


- Sempre foste muito obsessivo com os rankings, o estudo dos teus rivais…


- Sempre procurei superar-me dia a dia, buscar objectivos grandes, difíceis. Antes de entrar no circuito, ninguém dava nada pelo meu físico. Tinha talento, era uma promessa, mas faltava algo mais. Ainda assim, acabei por chegar a nº3 do mundo, alcancei coisas que me surpreenderam e desfrutei delas. Ter sido tão responsável e profissional com o ténis levou-me aonde cheguei, caso contrário nunca o teria conseguido. Toda a gente me “tira” pelo menos 10 quilos e 10 centímetros de altura...se não tivesse sido tudo tão bem planeado nunca teria lá chegado. Talvez tenha sido isto que provocou as minhas lesões, mas se me perguntares se faria o mesmo, caso pudesse voltar dez anos atrás, diria que sim sem hesitar. Foram três anos nos 10 primeiros, consegui coisas que muitos outros não conseguem em toda a carreira. Por exemplo, agora o David (Nalbandian) ganhou dois Masters Series, mas eu, mesmo com os problemas do doping e do ombro já o consegui também, tendo ainda ido a duas ou três finais mais. Consegui coisas muito boas em muito pouco tempo.


(continua...)



publicado por Morais às 13:18
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